Tu me disseste,

que se importar com beleza

era perda de tempo

que eu iria enlouquecer

com o reflexo

no espelho

que eu devia me amar

que eu devia me aceitar

que eu devia olhar para dentro.

E assim eu o fiz.

Olhei para dentro

estava tudo vazio

frio

teias de aranha cobrindo os móveis

poeira acumulada

por falta de movimentação.

E no fundo eu podia ouvir

uma barulho

tipo tic-tac

de relógio antigo

no escuro, não consegui enxergar

quando se está no escuro

fica difícil sentir.

Mas ali, no fundo, eu podia ouvir

só não sabia como chegar até lá.

Tinha medo, aflição.

Mas quando tu pegastes em meus ombros

mas quando tu, olhastes em meus olhos

eu pude prestar a devida atenção.

De baixo de tanta escuridão

de tanta obsolescência e procrastinação

lá estava triste e empoeirado

cheirando a sangue seco e ferrugem

meu velho coração.

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