Gritos calados do coração partido.

Vazio.
Uma linha tênue separava minha dor da vontade de consertar as coisas. Mas uma lâmina partiu essa linha sem que desse tempo de colá-la novamente, (pela milésima vez).
"Eu não me importo com você, nunca me importei."

Nunca.

Nunca.

"Nunca é uma palavra muito forte, odeio quando você diz "nunca".

Nunca.

V-A-Z-I-O.

A caixa onde eu guardava meu orgulho... está vazia também.

Tudo está perdido, mas dessa vez não existem possibilidades.

Tudo foi jogado ao vento, ou, nunca existiu.

"Eu vou embora", porém, nunca esteve de fato aqui.

E de novo, me senti como um rato encurralado,

Sem amigos, sem ninguém que se importasse, sem minha própria vergonha na cara.

De certa forma, eu cavei esse poço infinito de vazio. E a cada dia, a cada olhar torto, a cada beijo falso, a cada passo em falso, mais uma vala de vazio era cavado dentro de mim.

Pode existir o silêncio mais fúnebre, e mesmo assim, não seria possível ouvir o som do meu coração.

Abandono. Havia cheiro de abandono em tudo,

Em suas roupas, em seus olhos, tão vazios quanto os meus. (Quem diria...)

Nos matamos um ao outro e hoje, eu caio por terra, com lágrimas nos olhos e uma pedra no lugar do coração, me perguntando se eu mereci tudo isso.

Um dia uma cigana me disse que com 22 anos eu teria uma grande escolha a fazer: uma me levaria a felicidade plena, enquanto a outra me levaria a ruína total.
Me pergunto se eu estaria indo de encontro a ruína com os olhos cegos de amor e paixão, que hoje, me ficou claro, supridas só por mim.

Eu sou uma fralde. Uma farsa. Gato por lebre,

Eu estou quebrada, partida em milhões de pedacinhos, e ninguém faz questão de colá-los.

Eu estou devastada, por dentro e por fora.

Eu não tenho amigos e ninguém lê minhas súplicas.

Eu acreditei que eu era a egoísta enquanto era ludibriada e sendo enterrada pela minha própria mão.

Eu não ouço mais as músicas que eu gosto, e peço permissão para fazer aquilo que eu quero.

Eu já não sei quem eu sou, só consigo acreditar no que falam sobre mim, que eu sou o mal em pessoa, que eu mereço sofrer.

Acabou, nunca existiu.

NUNCA novamente,

Não sei se terei conserto, talvez nunca mais funcione direito.

Talvez eu nunca tenha funcionado.

Por isso, todos queriam me esconder, e se envergonhavam da minha presença.

Mas eu não posso desistir de tudo, não dessa vez.

Há um sorriso e um olhar curioso, me esperando, esperando minhas lágrimas secarem para me fazer sorrir todos os dias, e o portador desse sorriso faz tudo valer a pena.



Desate o nó.




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