Em queda livre
Coloquei os meus sonhos,
Lado a lado.
Dos mais velhos aos mais novos.
Os recém nascidos, por último.
Os levei até o prédio mais alto
Do mundo.
Os amordacei.
Amarrei todas as suas pontas.
Para que não pudessem
Protestar.
Eu via em seus olhos.
Suplicas de clemência.
Não fui indulgente.
Dessa vez.
Os levei até a janela.
Lá embaixo,
Todo o mundo
Sob nossos pés.
Sem dó nem piedade.
Puxei o sonho mais antigo,
O mais querido,
O mais amado, de todos.
E o arremessei pela janela.
Antes de se chocar com o chão,
Ele já estava morto.
Estraçalhado
Sem chances de reconstrução.
No chão jazia meu sonho mais antigo,
O mais querido,
O mais amado, de todos.
Somente os pedaços.
Arremessei meu sonho pela janela do acaso.
E esse era apenas o primeiro.
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